Treino da flexibilidade com crianças e jovens
Com base nas modificações do desenvolvimento nos diferentes escalões etários no âmbito do aparelho motor activo e passivo, é diferente a forma como a flexibilidade se manifesta nas crianças e nos jovens.
Assim, no escalão etário dos 6 aos 10 anos as crianças apresentam uma boa capacidade de flexão nas articulações coxo-femural e escápulo-umeral, mas há uma tendência para a redução na capacidade de abdução das pernas e na execução à retaguarda dos braços.
Como consequência deverão ser executados exercícios que melhorem estas capacidades. Nas modalidades desportivas que exigem uma elevada capacidade de flexibilidade como por exemplo a ginástica desportiva, rítmica desportiva, etc., podemos iniciar o treino da flexibilidade específica embora o predomínio deva incidir ainda no treino da flexibilidade geral.
No escalão etário dos 10 aos 13 anos é possível continuar a melhorar a flexibilidade desde que treinada com assiduidade e continuidade. Neste escalão etário poder-se-á incrementar o treino da flexibilidade específica.
No escalão etário dos 13 aos 15 anos que corresponde ao período pubertário, verifica-se, por vezes, um crescimento anual muito acentuado o que poderá conduzir a uma redução da capacidade de flexibilidade. O treino da flexibilidade neste escalão etário exige um certo cuidado já que, como consequência do acentuado crescimento, diminui a cargabilidade do aparelho motor passivo, particularmente ao nível da coluna vertebral e das articulações coxo-femural.
Com a entrada na adolescência consolida-se o desenvolvimento do aparelho motor pelo que o treino poderá ser semelhante ao do adulto.
Pelo atrás exposto em relação ao treino com crianças e jovens, podemos concluir que para o planeamento e execução do treino da flexibilidade o treinador deve ter em conta as particularidades inerentes a cada escalão etário.
3.6-Capacidades Coordenativas
Uma boa disponibilidade para o movimento e um bom desenvolvimento ao nível das capacidades coordenativas são aspectos significativos e determinantes no quadro da formação corporal dos atletas (Holz, 1977; Hirtz, 1981). Consequentemente, o desenvolvimento das funções e estruturas orgânicas e psico-físicas dos jovens praticantes reveste uma importância pedagógica e social, como garante de faculdades motoras adequadas para o rendimento e profissional, assim como eficaz desempenho nas actividades de lazer e de vida diária.
3.6.1.- O Conceito de Capacidades Coordenativas
As capacidades coordenativas são uma classe das capacidades motoras e, conjuntamente com as capacidades condicionais e as habilidades motoras, elementos da capacidade de rendimento corporal (Hirtz, 1986)
3.6.2.- Componentes das Capacidades Coordenativas
As Capacidades coordenativas Básicas (Schnabel, 1974)
-
Capacidade de Controlo Motor- baseia-se nas componentes de coordenação da capacidade de diferenciação cinestésica, da capacidade de orientação espacial e da capacidade de equilíbrio.
-
Capacidade de Aprendizagem Motora- depende da capacidade de aprendizagem motora ainda mais da capacidade de controlo motor.
-
Capacidade de Adaptação e readaptação Motoras- repousa nos mecanismos da apreensão, do tratamento a da retenção da informação.
A Classificação geralmente considerada é a de Hirtz (1986) que subordina ás três capacidades básicas cinco capacidades fundamentais de coordenação:
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Capacidade de orientação espacial- faculdade de se aperceber das modificações espaciais á medida que elas intervêm na execução dos movimentos.
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Capacidade de Diferenciação Cinestésica- faculdade de controlar as informações provenientes da musculatura, de apenas reter as mais importantes e de dosear, em consequência, a força a empregar.
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Capacidade de reacção- faculdade de analisar rapidamente a situação e de lhe aplicar a resposta motora mais adequada.
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Capacidade de Ritmo- faculdade de imprimir uma certa cadência á realização de um movimento ou de “apanhar” essa cadência se ela é dada.
-
Capacidade de Equilíbrio- faculdade de manter uma posição, mesmo em condições difíceis, ou de recuperar rapidamente se ela é perturbada.
Mas o que será então Coordenação?
A coordenação do movimento, de acordo com a idade, é a interacção harmoniosa e, na medida do possível, económica, dos músculos, nervos e órgãos dos sentidos, com o fim de produzir acções cinéticas precisas e equilibradas e reacções rápidas e adaptadas á situação. (Kiphard, 1976)
3.6.3.- O Desenvolvimento das Capacidades Coordenativas na Criança
Contrariamente ás capacidades condicionais, as capacidades coordenativas caracterizam-se por uma fase de desenvolvimento dinâmico nos primeiros anos, a que se segue um desenvolvimento lento ou mesmo um período de estagnação.
Esta estagnação deve-se fundamentalmente a dois factores:
-
termo de desenvolvimento do sistema nervoso central
-
maturação sexual (reorganização coordenativa)
O desenvolvimento destas capacidades não decorre de forma unitária mas sim diferenciada de capacidade para capacidade, por esta ordem:
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-
cap. diferenciação cinestésica
-
cap. reacção
-
cap. ritmo
-
cap. equilíbrio
-
cap. de orientação espacial
3.7- Modelo de condução do processo de treino
1 - Diagnóstico
- Testes (terreno e laboratoriais)
2 - Objectivos
- de acordo com a realidade do clube
3 - Conteúdos
- tácticos
- técnicos
- físicos
- psicológicos
4 - Planeamento
- anual
- mensal (mesociclo)
- semanal (microciclo)
- diário (unidade de treino)
5 - Unidades de treino
- parte inicial/fundamental/final
6 - Controlo e Avaliação periódica
- testes
- estatísticas
- semanal/mensal/após jogo
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